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Eng. Aureo Emanuel Pasqualeto Figueiredo
A ENGENHARIA ATUANDO NA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Exmo. Dr Milton Teixeira, Chanceler da Unisanta
Magnífica Reitora Profa. Dr. Sílvia
Dra. Lúcia, Dgma. Presidente da Instituição
Dr. Antonio Salles Penteado, nosso companheiro na Direção
Sr Coordenador, Srs. Professores, acadêmicos de Engenharia
Empresas parceiras da Instituição
Caros estudantes de Engenharia
Senhoras e Senhores
Foi com grande alegria que recebi o convite para
fazer esta apresentação para vocês, futuros engenheiros, sobre
a engenharia atuando na transformação social.
Dentre tantos outros mestres, com certeza mais competentes
para falar sobre o assunto, fico realmente lisonjeado com
essa distinção.
Pronto, chega, o Congresso é de estudantes de Engenharia,
e a partir de agora vou usar uma linguagem mais descontraída
e é dessa forma que vou me dirigir a vocês.
A primeira coisa que me veio à mente foi a identidade
com a situação de estudante, que exercemos a cada dia de nossas
vidas. Somos estudantes
Claro que, pela ocasião, vieram-me à memória tantas
situações que vivi em meu próprio tempo de acadêmico de engenharia
mecânica.
Em
agosto de 1972, portanto há trinta e um anos, estava como
vocês buscando esse mesmo ideal, beirando os vinte anos de
idade, aqui nesta mesma escola.
A comparação com vocês é inevitável. Nos olhos, a mesma luz
de encontrar um mundo novo, cheio de coisas compreensíveis
e outras nem tanto, pelo menos naquele momento em que todo
um mundo novo se descortinava à nossa frente.
Pronto, vocês acabam de constatar uma das mudanças que o tempo
faz no indivíduo. Essas, físicas, são as que estão no plano
visível. Mas com certeza mais importantes, são aquelas que
estão nos planos da inteligência e das emoções.
Podem tirar esse sorriso do canto da boca, afinal, apesar
de haver algumas décadas entre nós, algo nos iguala já que,
como diz sabiamente Millor Fernandes, somos todos, inexoravelmente
indivíduos do século passado. Imaginem quando for a vez de
vocês, daqui há trinta anos, falar aos alunos do século 21.
A resposta é pronta, no repertório luso que alega: Tu pra
lá caminhas...
Era muito diferente ser estudante de engenharia em
1972. O mundo era diferente. Aliás, o mundo é sempre diferente.
Daí a aventura de viver e transformá-lo.
Em nossas aulas de física, a análise dimensional
nos indicava entre LMT, comprimento, massa e tempo, a compatibilidade
e o equilíbrio das (grandezas) envolvidas nas equações. Lógica
pura, racionalidade inexorável, se não é compatível não está
certo.
E muito, muito trabalho. Já imaginaram fazer à mão
as “continhas” de um número de oito algarismos dividido por
outro também de oito algarismos? Porque? Pela simples razão
de que no início da década de 70 não haviam calculadoras portáteis,
pelo menos acessíveis. Minha primeira, fabulosa, com quatro
operações e constante, caríssima, só em 1974. Privilégio de
poucos!
Bom, após esse pequeno passeio para refrescar a
memória, vamos percorrer esse TimeLine, repassar algumas etapas
do que tem acontecido neste mundo para tentar entender, de
fato, as relações e que importância e responsabilidades tem
a Engenharia com a Humanidade.
Para isso, vamos começar do começo.
Vamos então recorrer a quem? O que existia no começo?
Claro, está lá, na Bíblia. A palavra grega biblos significa
livro, e, em seu plural, fica bíblia. Em maiúsculo, Bíblia
Sagrada.
Então, o que existia no começo? Mas no começo mesmo!
Segundo o Gênesis,
No princípio Deus criou o céu e a Terra. A Terra, porém era
solidão e caos, informe e vazia. As trevas cobriam o abismo
e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.
E Deus disse: Fiat Lux! E a luz foi feita!
Simples, não é? Bom, mas Ele era Deus, e assim sempre o será.
E depois de criar o Mundo, a Terra, os mares, as plantas,
os animais, Deus então resolver colocar aqui alguém para usufruir
de tudo aquilo. E criou o Homem, à Sua imagem e semelhança!
O Homem então é o famoso similar. Já imaginaram vocês fazendo
uma especificação de serviço:
“Para esta etapa do processo, convoquem-se as hostes de anjos
e arcanjos, querubins e serafins, belos e poderosos, ou similar!”
E, por falar em anjos, um dos mais importantes e poderosos
era Lúcifer. Seu próprio nome denota sua grandeza. De Lux,
luz e fere que é o verbo levar, trazer, carregar. Lúcifer,
então, é aquele que porta a Luz. E aí então é que,
segundo a mesma Bíblia, aconteceu a tragédia. O maldito do
orgulho levou Lúcifer a desafiar a Deus. Deu no que deu, a
origem de todas as desgraças.
Bom, aí, Deus já tinha criado a Mulher. Que bom, né!
Mas o Homem, o similar, foi também levado pelo orgulho, e,
apoiado pela Mulher entrou na conversa da cobra, e decidiu
que não seria mais o similar, auto-promovendo-se ao Criador.
Deu no que deu, de novo.
Maldito orgulho, que nos trouxe, definitivamente a este Vale
de Lágrimas.
Estas considerações são para concluir que, em tudo o que fazemos
podemos utilizar o sentido do Bem, em nossa semelhança divina,
ou negativamente, motivados por sentimentos inferiores. Daí
o Livre Arbítrio, nossa capacidade de decidir que caminho
tomar e pelo qual responderemos por nossas atitudes.
Hoje, nós, similares a Deus, por obras e artes da Engenharia,
usamos esses atributos quase divinos a cada instante.
Pelo lado do Bem, num simples toque de dedo num interruptor,
Fiat Lux de novo, acendemos a luz, que nos permite ver além
das trevas. Aliás, a luz pode ser acesa até sem nenhum toque
de interruptor, basta um banal sensor de presença.
Mas, pelo lado do Mal, o simples toque pode sim,
acionar um míssil, soltar uma bomba, resultando em sofrimento
e morte. Essa nossa sina, em tudo o que fazemos.
Que reflexões podemos fazer no árduo caminho percorrido
pela Humanidade?
A predominância das civilizações se alternava: Fenícios,
babilônios, egípcios, gregos, romanos...
A Ciência, o saber, avançava nos conhecimentos matemáticos
e astronômicos, com aplicações ainda limitadas.
Já a Técnica, do grego Thekné, significa arte, é
o conhecimento aplicado, o fazer. “..se para tal
me ajudarem engenho e arte...”, invocava, muitos séculos após,
o grande poeta luso Luiz de Camões, ao terminar a primeira
estrofe de seu épico Lusíadas.
Ao longo do tempo, os primeiros instrumentos, roda,
arado, facas de sílex, machados, alavancas. Técnicas rudimentares
para produzir o fogo auxiliaram o Homem a sobreviver. E desenvolver-se.
Pelo lado do Bem produziram-se as sete Maravilhas da Humanidade:
Pirâmides do Egito, Jardins Suspensos da Babilônia, Estátua
de Zeus em Olímpia, Colosso de Rodes, Farol de Alexandria,
Templo de Diana em Éfeso, Mausoléu de Halicarnasso...
O lado do Mal: Obras tão maravilhosas custaram tanto sofrimento
e vidas de milhares de escravos.
Mas, durante longos anos, Ciência e técnica trilharam
caminhos paralelos.
A ciência esteve circunscrita às aulas do Lyceu dos
gregos e aos registros nos pergaminhos.
Pelo lado do Mal, outra herança nefasta do passado foi a terrível
queima da biblioteca de Alexandria, construída por Ptolomeu
Philadelpho, 3 séculos antes de Cristo, com o objetivo de
reunir “os livros de todos os povos da Terra”.
Consta que reuniu, ao longo de séculos, mais de um milhão
de manuscritos. Há versões contraditórias sobre quem foi o
responsável pela tragédia, ocorrida por volta do ano 640 desta
Era.
Diz-se que o general Amr ibn Al-as distribuiu os livros entre
todos os banhos públicos de Alexandria, que eram em torno
de 4000, para que fossem queimados no aquecimento. Segundo
os relatos teriam sido necessários mais de seis meses para
consumi-los, fruto da intolerância religiosa combinada à violência
política.
Em 2002, 1600 anos após a destruição, reconstruiu-se a Biblioteca
de Alexandria. O prédio de 11 andares foi erguido no lugar
onde se acredita que estava localizada a biblioteca original,
emerge do terreno com uma face inclinada de 20º, formando
uma imagem espetacular quando se alinha com o sol. Reestabeleceu-se,
assim, um dos maiores centros de aprendizados da Humanidade,
num projeto que consumiu cerca de 200 milhões de US$, com
participação da UNESCO e de vários países.
Da mundialização
Retornando à História, comércio era bastante limitado,
eventuais excedentes só eram trocados nas imediações. Maiores
distâncias eram percorridas em longas caravanas que exigiam
tempos imensos e recursos em deslocamentos. Marco Pólo foi
à China, encontrou Kublai Kan, e voltou com a pólvora, o papel,
e, mama mia, a pasta...
Como expandir o comércio?
Construir melhores barcos, aplicar conhecimentos
hidrostáticos e hidrodinâmicos, intuir os esforços e determinar
empiricamente os elementos estruturais, quilhas, cavernames,
mastros, velas, aperfeiçoar os conhecimentos astronômicos
e... partir para desafiar o desconhecido, as lendas, a ignorância.
Todos os que se atrevessem a seguir para oeste seriam tragados
pelo fim do mundo ou por monstros imaginários escondidos nas
tormentas e borrascas.
O aperfeiçoamento da construção naval trouxe consigo
a primeira etapa da Globalização, fundada no ciclo das grandes
navegações, as especiarias, as tinturas, novas plantações
para minorar a fome. Pelo lado sinistro, levou as doenças,
a invasão dos continentes e a destruição de culturas milenares,
o comércio de escravos.
Assim ciência e técnica se aproximavam, mesmo assim,
a máquina a vapor foi inventada quarenta anos antes da descoberta
dos conceitos da Termodinâmica, que a explicavam.
Finalmente, a ciência e o conhecimento se encontraram
definitivamente, resultando na aplicação Técnica: O saber
aplicado ao fazer. A dimensão útil da ciência.
O lado do Bem: O desenvolvimento dos grandes mecanismos, a
vapor, as locomotivas e ferrovias, o tear, a fábrica, a revolução
industrial. Aumento da produção, com sensível redução de custos.
O lado do Mal: A evidência da exploração do trabalho em condições
desumanas, jornadas terríveis, trabalho infantil, ambientes
insalubres, condições inseguras... As indústrias precisavam
de mão de obra e, com isso, houve uma grande mobilização do
campo para as cidades.
Registra-se uma curiosidade daqueles tempos, na criação
das ferrovias, com as primeiras composições resfolegantes
e sacudindo-se em seus vinte e poucos km por hora.
Acreditava-se que se os trens atingissem a fantástica velocidade
de 60 km por hora, todos os passageiros morreriam sufocados,
por não conseguirem respirar.
O maquinista da locomotiva era chamado de Engineer,
relacionando-se diretamente com engine, motor, em inglês.
O processo de tentativa e erros, caracterizava o
desenvolvimento obtido de forma empírica, com muito trabalho
e repetições exaustivas.
Estavam lançadas as bases da Engenharia Moderna,
com novos métodos e regras para assegurar a verdade na busca
e aplicação da ciência, através do método científico.
Os fenômenos químicos e principalmente os elétricos
não podiam ser entendidos e tratados empíricamente, exigindo
a aplicação de conhecimentos científicos à técnica.
Ao final do século XIX, nasceu o primeiro laboratório
empresarial de pesquisas tecnológicas e desenvolvimento, criado
por Thomas Edison, cientista e inventor. Lá, ele conseguiu
a concessão de mais de 1000 patentes ao longo de sua vida,
pelo que foi conhecido como “O Mago de Menlo Park”. Seus inventos
mais famosos foram a lâmpada incandescente, o fonógrafo, e
o kinetoscópio, uma pequena caixa onde se podiam ver filmes
rudimentares. Edison trabalhava duramente, até 20 horas por
dia! A grande base científica veio dos trabalhos de Faraday.
Para essa nova situação, convencionou-se chamar Tecnologia
ao conhecimento aplicado, o saber fazer com ampla base científica.
Pode-se dizer que tecnologia é um conjunto de conhecimentos
compatível com a ciência contemporânea, e que seja empregado
para controlar, transformar coisas ou processos naturais ou
sociais.
Num exemplo simplista, quanto à técnica, pode-se desmontar
totalmente uma locomotiva a vapor, conhecer seus princípios
de funcionamento e, com muito trabalho reproduzi-la. Já nos
produtos de tecnologia avançada isso é impossível, pois, além
da complexidade dos produtos, os equipamentos usados em sua
fabricação tem tanta ou mais tecnologia incorporada que os
próprios produtos.
Em contrapartida, configurou-se também a importância
da Tecnologia para a ciência, em função da complexidade dos
equipamentos para as experiências e observações científicas.
O lado sombrio do avanço do conhecimento é aquele
que decorreu dos conflitos entre os homens.
Durante a segunda guerra mundial, avanço consideravelmente
o conhecimento nos campos de aviação, de engenharia civil,
mecânica de solos, pavimentos, aeroportos, os conhecimentos
e aplicações da física nuclear , os primórdios da computação.
O aperfeiçoamento dos processos produtivos seguiu
o caminho bem definido por Peter Drucker: Produzir é aplicar
lógica ao trabalho. São inerentes à produção as novas Tecnologias
que caracterizam-se principalmente por:
Alto conteúdo de informação
Processos com pequenas margens de tolerância
Forte integração no processo produtivo
Gestão Tecnológica de alto nível
Integração pesquisa/Aplicação
Daí o reconhecimento da importância fundamental da tecnologia
para a sociedade, com o surgimento de ações governamentais
e privadas na estruturação de um sistema de ensino com ênfase
na indução de atividades de interação entre as escolas e o
setor produtivo.
Mas, onde nasce a inovação, na Indústria ou na Universidade?
Em ambas
Temos a invenção do transistor, pelo avanço nos centros
de pesquisa. Por outro lado o clássico walkman, decorrente
da percepção de uma oportunidade de mercado.
Conclui-se que as revoluções industriais ocorreram
onde surgiu a inovação:
Na Inglaterra em decorrência do uso intensivo da
máquina a vapor
Nos EUA, nas linhas de montagem de FORD
Hoje, podem ocorrer em qualquer lugar, onde haja
condições propícias: Singapura, Coréia, Taiwan.
Poderemos sempre, em conjunto obter melhores resultados
do que os esforços individuais nos permitem.
Mudanças nos Transportes:
Há um século, como se ia de Santos a SP?
As estradas eram simples caminhos de tropas de animais,
e os rudimentares e raros veículos a motor não podiam percorre-las.
A alternativa, rápida, confortável e econômica era
ir até o Valongo, embarcar num trem da Inglesa e, cento e
cinqüenta minutos depois, desembarcar na Estação da Luz.
Será que isso é possível hoje, em nossas ruas e avenidas
tão congestionadas, mesmo com um moderníssimo veículo?
O automóvel parece parte de nós mesmos. Todavia,
de cerca de 500 gerações do homem civilizado, ele faz parte
do cotidiano de apenas as cinco últimas! (E mata milhares
de pessoas por ano)
A fabricação integrada de produtos passa pela eficiência
dos transportes. Hoje, qualquer produto pode estar em qualquer
canto do mundo em cerca de 3 semanas.
Isso caracteriza os produtos Made in World,
feitos em várias partes do mundo.
Nas Telecomunicações, a revolução da telefonia móvel,
que nos acompanha a cada passo. Em breve o telefone com vídeo
permitirá uma integração ainda maior das pessoas que se comunicam.
A Televisão digital, a ser implantada em breve irá
trocar centenas de milhões de aparelhos em todo o mundo, com
incomparável definição e qualidades.
Se por um lado as comunicações tem uma dos campos
de maior avanço da tecnologia, evidencia-se aí a imensa responsabilidade
dos que a fazem efetivamente já que apenas quatro agências
controlam cerca de 90% das notícias internacionais.
O avanço da Tecnologia trará também o aperfeiçoamento
dos sistemas de supervisão e controle a nossos lares.
A domótica, de domus que siganifica “casa” em latim,
terá cada vez mais sistemas automatizados de segurança, de
controle do conforto ambiental, das condições de iluminação
e temperatura, das instalações e supervisão de eletrodomésticos,
da comunicação interna e externa e, principalmente, do apoio
a pessoas idosas ou com necessidades especiais.
Iremos menos aos escritórios, por um lado pela facilidade
de comunicação, por outro, pelas crescentes dificuldades e
tempo gasto em locomoção.
Ainda assim, os novos sistemas corporativos permitirão
acesso irrestrito dentro dos níveis de hierarquia à informação
objetiva e disponível. A comunicação online permite
soluções ontime.
Obviamente haverá redução significativa de papéis
circulando, restritos ao mínimo necessário. Os software serão
mais sofisticados requerendo maior conhecimento para sua aplicação.
Trarão consigo o recrudescimento dos infernais vírus, worms,
trojans e outros elementos que atrapalham nosso dia a dia.
Sem contar com o PMMOI, o tradicional Princípio das Máximas
Maldades dos Objetos Inanimados, universal e terrível assola
todos os nossos computadores, fazendo com que raramente tudo
funcione ao mesmo tempo. Ora a internet dá pau, ora, a impressora
está cansada, ora o sistema fica “instável” sempre no momento
crítico.
Apesar disso, a Informática terá uma posição cada
vez mais importante na Educação. Nossos filhos tem e terão
cada vez mais familiaridade com os processos de automação,
desde a tenra escola.
A Educação terá sempre duas componentes, que são seu corpo
e alma.
O corpo é composto das atividades de transmitir, armazenar,
classificar, recuperar, demonstrar dados, interagir com a
informação.
O computador pode fazer coisas que nem o melhor professor
consegue apenas com giz e quadro negro. O computador pode
simular processos interferindo nas grandezas físicas, freando
coisas muito rápidas como ondas elétricas, ou acelerar coisas
muito lentas, como o movimento das placas tectônicas. A visualização
dos fenômenos auxilia significativamente no aprendizado.
Além de auxiliar nos projetos, o computador pode repetir processos
inúmeras vezes em diversas formas permitindo aprimorar e encontrar
as melhores soluções.
Mas a alma, a Educação propriamente dita só poderá
ser realizada com a paixão que move os professores, em cotidiano
de formar homens e cidadãos.
A formação Tecnológica continuará voltada basicamente
para a capacitação sistêmica dos métodos e processos.
Pela velocidade crescente da renovação, do conhecimento,
terá como meta “criar habilidades predominando sobre conhecimentos”.
Por paradoxal que pareça, diz Kurt Lewin, “nada mais prático
que uma boa teoria”.
Mas, como paradigma do Ensino de Engenharia, serão
valorizados:
a responsabilidade com o meio ambiente, o aproveitamento
racional dos recursos naturais, e principalmente, a conscientização
para os problemas sociais.
Um elemento estratégico terá uma influência decisiva
em nosso futuro. A água.
Cada vez mais sua aplicação para consumo humano,
irrigação, geração de energia, transporte e lazer serão evidenciadas.
Dizem que as guerras da mudança de século tem como
objetivo principal o petróleo. As futuras, terão o objetivo
do domínio da água.
O que está reservado ao Brasil nesse contexto? Superar
seus problemas internos, reestruturar sua economia, desarmar
espíritos e promover a necessária Justiça Social.
Nossa vocação estará centralizada nas ações que se
beneficiem das vantagens de nosso clima, desenvolvendo a agricultura,
fixando o Homem à terra, de forma a reduzir o êxodo rural.
Explorar de forma racional nossas reservas minerais, sem destruir
o meio ambiente.
Aumentar nossa produtividade na produção de alimentos,
insumos, produtos primários, papel, celulose, tecidos, calçados,
mobiliários, máquinas, equipamentos, ligas de metais nobres,
etc..
Com isso, por um lado estaremos mais na América Latina,
nossos vizinhos são nossos parceiros preferenciais.
Mas o Mundo também estará mais aqui, com produtos
e serviços e , esperamos, trazendo novas divisas a serem aplicadas
em nosso turismo.
A distância que nos separa do mundo hoje é a distância de
nossa cadeira até o computador.
O inevitável compartilhamento das ações que regem nossas vidas
foram recentemente denominadas de globalização. Sua conotação
era fortemente econômica, centrada na busca do lucro aonde
quer que ele estivesse.
Outra modalidade desse fato, desta vez centrada no Bem do
Homem é a chamada Mundialização, um processo que busca contribuir
para a emergência de um sistema mundial que se sobrepõe às
sociedades e nos constitui em um mundo único.
É uma das perplexidades de nosso tempo, como diz José Maria
Vigil:
“quando descobrimos as respostas, mudaram as perguntas!”.
É um processo que busca reponder a processos inerentes ao
dinamismo humano de forma positiva, onde os conceitos são
bastante distintos:
Unificação da família e enriquecimento mútuo
Ampliação dos processos participativos
Colaboração construtiva
Solidariedade
Construção Universal do Bem
Amadurecimento da consciência Humana
E, com isso
A Evolução e a melhoria da Humanidade
Contribui com esse processo a Engenharia do Bem
Pelo conhecimento tecnológico aplicado ao bem estar do Homem
Através do comportamento centrado em condutas éticas.
Em contraposição ao uso indevido dos termos envolvendo a palavra
Engenharia, como a triste reengenharia, ou a abominável engenharia
social com letras minúsculas, que representam de fato o estelionato
social, desenvolver técnicas para iludir e tirar vantagens
ilícitas.
Fica uma lição de vida:
Valorizar e incentivar os humildes. Olhe para seu lado. Muitos
de seus colaboradores, se tivessem tido as mesmas oportunidades
que você poderiam estar contribuindo muito mais para esses
objetivos.
Credo do Engenheiro:
O Engenheiro Fernando Rodrigues Vazquez traduziu um texto
à guisa de declaração de princípios para o Engenheiro, escrito
pelo Eng. Adolph Ackerman que achamos interessante trazer
a esta reflexão:
CREDO
DO ENGENHEIRO
Inspiro-me
na visão
Que veio dos sonhos,
Aplico a magia da ciência e da matemática ,
Somo a experiência herdada da nossa profissão,
E o meu conhecimento sobre a natureza dos materiais ,
Para criar um projeto.
Estimulo o esforço e o preparo
Dos amigos trabalhadores .
Emprego o capital dos investidores
E o produto de varias industrias ,
E trabalhando juntos, destemidamente ,
Superaremos os riscos e obstáculos
Conquistando assim nossas metas .
E quando completarmos nossa tarefa,
Poderemos ver,
Que os sonhos e os planos
Se tornaram realidade ,
Para o conforto e bem estar de todos.
Eu
sou um engenheiro,
Eu sirvo a humanidade,
Para tornar os sonhos realidade.
E, para concluir,
A missão do Homem é mudar o mundo
E depois, mudar o mundo mudado...
Brecht |