A Engenharia Atuando na Transformação da Sociedade.
Santos, 31 de julho de 2010.
Palestra de abertura do X CREEM
 


Eng. Aureo Emanuel Pasqualeto Figueiredo

A ENGENHARIA ATUANDO NA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


Exmo. Dr Milton Teixeira, Chanceler da Unisanta
Magnífica Reitora Profa. Dr. Sílvia
Dra. Lúcia, Dgma. Presidente da Instituição
Dr. Antonio Salles Penteado, nosso companheiro na Direção
Sr Coordenador, Srs. Professores, acadêmicos de Engenharia
Empresas parceiras da Instituição
Caros estudantes de Engenharia
Senhoras e Senhores


         Foi com grande alegria que recebi o convite para fazer esta apresentação para vocês, futuros engenheiros, sobre a engenharia atuando na transformação social.

         Dentre tantos outros mestres, com certeza mais competentes para falar sobre o assunto, fico realmente lisonjeado com essa distinção.

         Pronto, chega, o Congresso é de estudantes de Engenharia, e a partir de agora vou usar uma linguagem mais descontraída e é dessa forma que vou me dirigir a vocês.

         A primeira coisa que me veio à mente foi a identidade com a situação de estudante, que exercemos a cada dia de nossas vidas. Somos estudantes

         Claro que, pela ocasião, vieram-me à memória tantas situações que vivi em meu próprio tempo de acadêmico de engenharia mecânica.

Em agosto de 1972, portanto há trinta e um anos, estava como vocês buscando esse mesmo ideal, beirando os vinte anos de idade, aqui nesta mesma escola.

A comparação com vocês é inevitável. Nos olhos, a mesma luz de encontrar um mundo novo, cheio de coisas compreensíveis e outras nem tanto, pelo menos naquele momento em que todo um mundo novo se descortinava à nossa frente.

Pronto, vocês acabam de constatar uma das mudanças que o tempo faz no indivíduo. Essas, físicas, são as que estão no plano visível. Mas com certeza mais importantes, são aquelas que estão nos planos da inteligência e das emoções.

Podem tirar esse sorriso do canto da boca, afinal, apesar de haver algumas décadas entre nós, algo nos iguala já que, como diz sabiamente Millor Fernandes, somos todos, inexoravelmente indivíduos do século passado. Imaginem quando for a vez de vocês, daqui há trinta anos, falar aos alunos do século 21. A resposta é pronta, no repertório luso que alega: Tu pra lá caminhas...

         Era muito diferente ser estudante de engenharia em 1972. O mundo era diferente. Aliás, o mundo é sempre diferente. Daí a aventura de viver e transformá-lo.

         Em nossas aulas de física, a análise dimensional nos indicava entre LMT, comprimento, massa e tempo, a compatibilidade e o equilíbrio das (grandezas) envolvidas nas equações. Lógica pura, racionalidade inexorável, se não é compatível não está certo.

E muito, muito trabalho. Já imaginaram fazer à mão as “continhas” de um número de oito algarismos dividido por outro também de oito algarismos? Porque? Pela simples razão de que no início da década de 70 não haviam calculadoras portáteis, pelo menos acessíveis. Minha primeira, fabulosa, com quatro operações e constante, caríssima, só em 1974. Privilégio de poucos!     

         Bom, após esse pequeno passeio  para refrescar a memória, vamos percorrer esse TimeLine, repassar algumas etapas do que tem acontecido neste mundo para tentar entender, de fato, as relações e que importância e responsabilidades tem a Engenharia com a Humanidade.

         Para isso, vamos começar do começo.

Vamos então recorrer a quem? O que existia no começo?

Claro, está lá, na Bíblia. A palavra grega biblos significa livro, e, em seu plural, fica bíblia. Em maiúsculo, Bíblia Sagrada.

Então, o que existia no começo? Mas no começo mesmo!

Segundo o Gênesis,  

No princípio Deus criou o céu e a Terra. A Terra, porém era solidão e caos, informe e vazia.  As trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.

 E Deus disse: Fiat Lux! E a luz foi feita!

Simples, não é? Bom, mas Ele era Deus, e assim sempre o será.

E depois de criar o Mundo, a Terra, os mares, as plantas, os animais, Deus então resolver colocar aqui alguém para usufruir de tudo aquilo. E criou o Homem, à Sua imagem e semelhança!

O Homem então é o famoso similar. Já imaginaram vocês fazendo uma especificação de serviço: 

“Para esta etapa do processo, convoquem-se as hostes de anjos e arcanjos, querubins e serafins, belos e poderosos, ou similar!”

E, por falar em anjos, um dos mais importantes e poderosos era Lúcifer. Seu próprio nome denota sua grandeza. De Lux, luz e fere que é o verbo levar, trazer, carregar. Lúcifer, então, é aquele que porta a Luz. E aí então é que, segundo a mesma Bíblia, aconteceu a tragédia. O maldito do orgulho levou Lúcifer a desafiar a Deus. Deu no que deu, a origem de todas as desgraças.

Bom, aí, Deus já tinha criado a Mulher. Que bom, né!

Mas o Homem, o similar, foi também levado pelo orgulho, e, apoiado pela Mulher entrou na conversa da cobra, e decidiu que não seria mais o similar, auto-promovendo-se ao Criador. Deu no que deu, de novo.

Maldito orgulho, que nos trouxe, definitivamente a este Vale de Lágrimas. 

Estas considerações são para concluir que, em tudo o que fazemos podemos utilizar o sentido do Bem, em nossa semelhança divina, ou negativamente, motivados por sentimentos inferiores. Daí o Livre Arbítrio, nossa capacidade de decidir que caminho tomar e pelo qual responderemos por nossas atitudes.

Hoje, nós, similares a Deus, por obras e artes da Engenharia, usamos esses atributos quase divinos a cada instante.

Pelo lado do Bem, num simples toque de dedo num interruptor, Fiat Lux de novo, acendemos a luz, que nos permite ver além das trevas. Aliás, a luz pode ser acesa até sem nenhum toque de interruptor, basta um banal sensor de presença.

         Mas, pelo lado do Mal, o simples toque pode sim, acionar um míssil, soltar uma bomba, resultando em sofrimento e morte. Essa nossa sina, em tudo o que fazemos.

         Que reflexões podemos fazer no árduo caminho percorrido pela Humanidade?

         A predominância das civilizações se alternava: Fenícios, babilônios, egípcios, gregos, romanos...

         A Ciência, o saber, avançava nos conhecimentos matemáticos e astronômicos, com aplicações ainda limitadas.

         Já a Técnica, do grego Thekné, significa arte, é o conhecimento aplicado, o fazer.          “..se para tal me ajudarem engenho e arte...”, invocava, muitos séculos após, o grande poeta luso Luiz de Camões, ao terminar a primeira estrofe de seu épico Lusíadas.

         Ao longo do tempo, os primeiros instrumentos, roda, arado, facas de sílex, machados, alavancas. Técnicas rudimentares para produzir o fogo auxiliaram o Homem a sobreviver. E desenvolver-se.

Pelo lado do Bem produziram-se as sete Maravilhas da Humanidade: Pirâmides do Egito, Jardins Suspensos da Babilônia, Estátua de Zeus em Olímpia, Colosso de Rodes, Farol de Alexandria, Templo de Diana em Éfeso, Mausoléu de Halicarnasso...

O lado do Mal: Obras tão maravilhosas custaram tanto sofrimento e vidas de milhares de escravos.

         Mas, durante longos anos, Ciência e técnica trilharam caminhos paralelos.

         A ciência esteve circunscrita às aulas do Lyceu dos gregos e aos registros nos pergaminhos.

Pelo lado do Mal, outra herança nefasta do passado foi a terrível queima da biblioteca de Alexandria, construída por Ptolomeu Philadelpho, 3 séculos antes de Cristo, com o objetivo de reunir “os livros de todos os povos da Terra”.

Consta que reuniu, ao longo de séculos, mais de um milhão de manuscritos. Há versões contraditórias sobre quem foi o responsável pela tragédia, ocorrida por volta do ano 640 desta Era.

Diz-se que o general Amr ibn Al-as distribuiu os livros entre todos os banhos públicos de Alexandria, que eram em torno de 4000, para que fossem queimados no aquecimento. Segundo os relatos teriam sido necessários mais de seis meses para consumi-los, fruto da intolerância religiosa combinada à violência política.

Em 2002, 1600 anos após a destruição, reconstruiu-se a Biblioteca de Alexandria. O prédio de 11 andares foi erguido no lugar onde se acredita que estava localizada a biblioteca original, emerge do terreno com uma face inclinada de 20º, formando uma imagem espetacular quando se alinha com o sol.  Reestabeleceu-se, assim, um dos maiores centros de aprendizados da Humanidade, num projeto que consumiu cerca de 200 milhões de US$, com participação da UNESCO e de vários países.

Da mundialização

         Retornando à História, comércio era bastante limitado, eventuais excedentes só eram trocados nas imediações. Maiores distâncias eram percorridas em longas caravanas que exigiam tempos imensos e recursos em deslocamentos. Marco Pólo foi à China, encontrou Kublai Kan, e voltou com a pólvora, o papel, e, mama mia, a pasta...

         Como expandir o comércio?

         Construir melhores barcos, aplicar conhecimentos hidrostáticos e hidrodinâmicos, intuir os esforços e determinar empiricamente os elementos estruturais, quilhas, cavernames, mastros, velas, aperfeiçoar os conhecimentos astronômicos e...   partir para desafiar o desconhecido, as lendas, a ignorância. Todos os que se atrevessem a seguir para oeste seriam tragados pelo fim do mundo ou por monstros imaginários escondidos nas tormentas e borrascas.

         O aperfeiçoamento da construção naval trouxe consigo a primeira etapa da Globalização, fundada no ciclo das grandes navegações, as especiarias, as tinturas, novas plantações para minorar a fome. Pelo lado sinistro, levou as doenças, a invasão dos continentes e a destruição de culturas milenares, o comércio de escravos.

         Assim ciência e técnica se aproximavam, mesmo assim, a máquina a vapor foi inventada quarenta anos antes da descoberta dos conceitos da Termodinâmica, que a explicavam.

         Finalmente, a ciência e o conhecimento se encontraram definitivamente, resultando na aplicação Técnica: O saber aplicado ao fazer. A dimensão útil da ciência.

O lado do Bem: O desenvolvimento dos grandes mecanismos, a vapor, as locomotivas e ferrovias, o tear, a fábrica, a revolução industrial. Aumento da produção, com sensível redução de custos.

O lado do Mal: A evidência da exploração do trabalho em condições desumanas, jornadas terríveis, trabalho infantil, ambientes insalubres, condições inseguras... As indústrias precisavam de mão de obra e, com isso, houve uma grande mobilização do campo para as cidades.

         Registra-se uma curiosidade daqueles tempos, na criação das ferrovias, com as primeiras composições resfolegantes e sacudindo-se em seus vinte e poucos km por hora.

Acreditava-se que se os trens atingissem a fantástica velocidade de 60 km por hora, todos os passageiros morreriam sufocados, por não conseguirem respirar.

         O maquinista da locomotiva era chamado de Engineer, relacionando-se diretamente com engine, motor, em inglês.

         O processo de tentativa e erros, caracterizava o desenvolvimento obtido de forma empírica, com muito trabalho e repetições exaustivas.

         Estavam lançadas as bases da Engenharia Moderna, com novos métodos e regras para assegurar a verdade na busca e aplicação da ciência, através do método científico.

         Os fenômenos químicos e principalmente os elétricos não podiam ser entendidos e tratados empíricamente, exigindo a aplicação de conhecimentos científicos à técnica.

         Ao final do século XIX, nasceu o primeiro laboratório empresarial de pesquisas tecnológicas e desenvolvimento, criado por Thomas Edison, cientista e inventor. Lá, ele conseguiu a concessão de mais de 1000 patentes ao longo de sua vida, pelo que foi conhecido como “O Mago de Menlo Park”. Seus inventos mais famosos foram a lâmpada incandescente, o fonógrafo, e o kinetoscópio, uma pequena caixa onde se podiam ver filmes rudimentares. Edison trabalhava duramente, até 20 horas por dia! A grande base científica veio dos trabalhos de Faraday.

         Para essa nova situação, convencionou-se chamar Tecnologia ao conhecimento aplicado, o saber fazer com ampla base científica.

         Pode-se dizer que tecnologia é um conjunto de conhecimentos compatível com a ciência contemporânea, e que seja empregado para controlar, transformar coisas ou processos naturais ou sociais.       

Num exemplo simplista, quanto à técnica, pode-se desmontar totalmente uma locomotiva a vapor, conhecer seus princípios de funcionamento e, com muito trabalho reproduzi-la. Já nos produtos de tecnologia avançada isso é impossível, pois, além da complexidade dos produtos, os equipamentos usados em sua fabricação tem tanta ou mais tecnologia incorporada que os próprios produtos.

         Em contrapartida, configurou-se também a importância da Tecnologia para a ciência, em função da complexidade dos equipamentos para as experiências e observações científicas.

         O lado sombrio do avanço do conhecimento é aquele que decorreu dos conflitos entre os homens.

         Durante a segunda guerra mundial, avanço consideravelmente o conhecimento nos campos de aviação, de engenharia civil, mecânica de solos, pavimentos, aeroportos, os conhecimentos e aplicações da física nuclear , os primórdios da computação.

         O aperfeiçoamento dos processos produtivos seguiu o caminho bem definido por Peter Drucker: Produzir é aplicar lógica ao trabalho. São inerentes à produção as novas Tecnologias que caracterizam-se principalmente por:

         Alto conteúdo de informação

         Processos com pequenas margens de tolerância

         Forte integração no processo produtivo

         Gestão Tecnológica de alto nível

         Integração pesquisa/Aplicação

Daí o reconhecimento da importância fundamental da tecnologia para a sociedade, com o surgimento de ações governamentais e privadas na estruturação de um sistema de ensino com ênfase na indução de atividades de interação entre as escolas e o setor produtivo.

Mas, onde nasce a inovação, na Indústria ou na Universidade?

Em ambas

         Temos a invenção do transistor, pelo avanço nos centros de pesquisa. Por outro lado o clássico walkman, decorrente da percepção de uma oportunidade de mercado.

         Conclui-se que as revoluções industriais ocorreram onde surgiu a inovação:

         Na Inglaterra em decorrência do uso intensivo da máquina a vapor

         Nos EUA, nas linhas de montagem de FORD

         Hoje, podem ocorrer em qualquer lugar, onde haja condições propícias: Singapura, Coréia, Taiwan.

         Poderemos sempre, em conjunto obter melhores resultados do que os esforços individuais nos permitem.

         Mudanças nos Transportes:

 Há um século, como se ia de Santos a SP?

         As estradas eram simples caminhos de tropas de animais, e os rudimentares e raros veículos a motor não podiam percorre-las.

         A alternativa, rápida, confortável e econômica era ir até o Valongo, embarcar num trem da Inglesa e, cento e cinqüenta minutos depois, desembarcar na Estação da Luz.

 Será que isso é possível hoje, em nossas ruas e avenidas tão congestionadas, mesmo com um moderníssimo veículo?

         O automóvel parece parte de nós mesmos.  Todavia, de cerca de 500 gerações do homem civilizado, ele faz parte do cotidiano de apenas as cinco últimas! (E mata milhares de pessoas por ano)

         A fabricação integrada de produtos passa pela eficiência dos transportes. Hoje, qualquer produto pode estar em qualquer canto do mundo em cerca de 3 semanas.

         Isso caracteriza os produtos Made in World, feitos em várias partes do mundo.

         Nas Telecomunicações, a revolução da telefonia móvel, que nos acompanha a cada passo. Em breve o telefone com vídeo permitirá uma integração ainda maior das pessoas que se comunicam.

         A Televisão digital, a ser implantada em breve irá trocar centenas de milhões de aparelhos em todo o mundo, com incomparável definição e qualidades.

         Se por um lado as comunicações tem uma dos campos de maior avanço da tecnologia, evidencia-se aí a imensa responsabilidade dos que a fazem efetivamente já que apenas quatro agências controlam cerca de 90% das notícias internacionais.

         O avanço da Tecnologia trará também o aperfeiçoamento dos sistemas de supervisão e controle a nossos lares.

         A domótica, de domus que siganifica “casa” em latim, terá cada vez mais sistemas automatizados de segurança,  de controle do conforto ambiental, das condições de iluminação e temperatura, das instalações e supervisão de eletrodomésticos, da comunicação interna e externa e, principalmente, do apoio a pessoas idosas ou com necessidades especiais.

         Iremos menos aos escritórios, por um lado pela facilidade de comunicação, por outro, pelas crescentes dificuldades e tempo gasto em locomoção.

         Ainda assim, os novos sistemas corporativos permitirão acesso irrestrito dentro dos níveis de hierarquia à informação objetiva e disponível. A comunicação online permite soluções ontime.

         Obviamente haverá redução significativa de papéis circulando, restritos ao mínimo necessário. Os software serão mais sofisticados requerendo maior conhecimento para sua aplicação. Trarão consigo o recrudescimento dos infernais vírus, worms, trojans e outros elementos que atrapalham nosso dia a dia.

    Sem contar com o PMMOI, o tradicional Princípio das Máximas Maldades dos Objetos Inanimados, universal e terrível assola todos os nossos computadores, fazendo com que raramente tudo funcione ao mesmo tempo. Ora a internet dá pau, ora, a impressora está cansada, ora o sistema fica “instável” sempre no momento crítico.

         Apesar disso, a Informática terá uma posição cada vez mais importante na Educação. Nossos filhos tem e terão cada vez mais familiaridade com os processos de automação, desde a tenra escola.

A Educação terá sempre duas componentes, que são seu corpo e alma.

O corpo é composto das atividades de transmitir, armazenar, classificar, recuperar, demonstrar dados, interagir com a informação.

O computador pode fazer coisas que nem o melhor professor consegue apenas com giz e quadro negro. O computador pode simular processos interferindo nas grandezas físicas, freando coisas muito rápidas como ondas elétricas, ou acelerar coisas muito lentas, como o movimento das placas tectônicas.  A visualização dos fenômenos auxilia significativamente no aprendizado.

Além de auxiliar nos projetos, o computador pode repetir processos inúmeras vezes em diversas formas permitindo aprimorar e encontrar as melhores soluções.

         Mas a alma, a Educação propriamente dita só poderá ser realizada com a paixão que move os professores, em cotidiano de formar homens e cidadãos.

         A formação Tecnológica continuará voltada basicamente para a capacitação sistêmica dos métodos e processos.

         Pela velocidade crescente da renovação, do conhecimento, terá como meta “criar habilidades predominando sobre conhecimentos”.

Por paradoxal que pareça, diz Kurt Lewin, “nada mais prático que uma boa teoria”.

         Mas, como paradigma do Ensino de Engenharia, serão valorizados:

a responsabilidade  com o meio ambiente, o aproveitamento racional dos recursos naturais, e principalmente, a conscientização para os problemas sociais.

         Um elemento estratégico terá uma influência decisiva em nosso futuro. A água.

         Cada vez mais sua aplicação para consumo humano, irrigação, geração de energia, transporte e lazer serão evidenciadas.

         Dizem que as guerras da mudança de século tem como objetivo principal o petróleo. As futuras, terão o objetivo do domínio da água.

         O que está reservado ao Brasil nesse contexto? Superar seus problemas internos, reestruturar sua economia, desarmar espíritos e promover a necessária Justiça Social.

         Nossa vocação estará centralizada nas ações que se beneficiem das vantagens de nosso clima, desenvolvendo a agricultura, fixando o Homem à terra, de forma a reduzir o êxodo rural. Explorar de forma racional nossas reservas minerais, sem destruir o meio ambiente.

         Aumentar nossa produtividade na produção de alimentos, insumos, produtos primários, papel, celulose, tecidos, calçados, mobiliários, máquinas, equipamentos, ligas de metais nobres, etc..

         Com isso, por um lado estaremos mais na América Latina, nossos vizinhos são nossos parceiros preferenciais.

         Mas o Mundo também estará mais aqui, com produtos e serviços e , esperamos, trazendo novas divisas a serem aplicadas em nosso turismo.

A distância que nos separa do mundo hoje é a distância de nossa cadeira até o computador.

O inevitável compartilhamento das ações que regem nossas vidas foram recentemente denominadas de globalização. Sua conotação era fortemente econômica, centrada na busca do lucro aonde quer que ele estivesse.

Outra modalidade desse fato, desta vez centrada no Bem do Homem é a chamada Mundialização,  um processo que busca contribuir para a emergência de um sistema mundial que se sobrepõe às sociedades e nos constitui em um mundo único.

É uma das perplexidades de nosso tempo, como diz José Maria Vigil: 

“quando descobrimos as respostas, mudaram as perguntas!”.

É um processo que busca reponder a processos inerentes ao dinamismo humano de forma positiva, onde os conceitos são bastante distintos:

         Unificação da família e enriquecimento mútuo

         Ampliação dos processos participativos

         Colaboração construtiva

         Solidariedade

         Construção Universal do Bem

         Amadurecimento da consciência Humana

                   E, com isso

A Evolução e a melhoria da Humanidade

Contribui com esse processo a Engenharia do Bem

Pelo conhecimento tecnológico aplicado ao bem estar do Homem

Através do comportamento centrado em condutas éticas.

Em contraposição ao uso indevido dos termos envolvendo a palavra Engenharia, como a triste reengenharia, ou a abominável engenharia social com letras minúsculas, que representam de fato o estelionato social, desenvolver técnicas para iludir e tirar vantagens ilícitas.

Fica uma lição de vida:

Valorizar e incentivar os humildes. Olhe para seu lado. Muitos de seus colaboradores, se tivessem tido as mesmas oportunidades que você poderiam estar contribuindo muito mais para esses objetivos.

Credo do Engenheiro:

O Engenheiro Fernando Rodrigues Vazquez traduziu um texto à guisa de declaração de princípios para o Engenheiro, escrito pelo Eng. Adolph Ackerman  que achamos interessante trazer a esta reflexão:

CREDO DO ENGENHEIRO

Inspiro-me  na  visão


Que veio dos sonhos,

Aplico a magia da ciência e da matemática ,

Somo a experiência herdada da nossa profissão,

E o meu conhecimento sobre a natureza dos materiais ,

Para criar um projeto.

Estimulo o esforço e o preparo

Dos amigos trabalhadores .

Emprego o capital dos investidores

E o produto de varias industrias ,

E  trabalhando juntos, destemidamente ,

Superaremos  os riscos e obstáculos

Conquistando  assim nossas metas .

E quando completarmos nossa tarefa,

Poderemos ver,

Que os sonhos e os planos

Se tornaram realidade ,

Para o conforto e bem estar de todos.


Eu sou um engenheiro,


Eu sirvo a humanidade,

Para tornar os sonhos realidade.

E, para concluir,

A missão do Homem é mudar o mundo

E depois, mudar o mundo mudado...

Brecht
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